Ago
17th

Diretor viu e não gostou da versão pirata do seu filme

Publicado por karaloko às 4:02 am

Cineasta José Padilha viu o copião roubado e avisa: ‘o que está nas ruas não é o filme’.
Equipe de filmagem foi seqüestrada; e teve armas cenográficas roubadas em favela.

 

Seqüestro, roubo e pirataria. Muita realidade para quem pretendia fazer um filme de ficção sobre a relação da polícia com a criminalidade no Rio de Janeiro. Depois de ter a equipe seqüestrada e as armas cenográficas roubadas durante as filmagens de “Tropa de Elite”, o cineasta José Padilha teve que enfrentar um novo roubo e, agora, a pirataria do filme, antes de sua estréia no dia 5 de outubro.

 

“Soubemos do roubo, que, na verdade, é uma cópia da fita, duas semanas antes de chegar ao comércio, há dois meses. Mas o que está à venda não é o filme, é o segundo corte. Hoje estamos no décimo sexto antes de levá-lo aos cinemas”, conta Padilha, que registrou o caso na Delegacia de Roubos e Furtos do Rio e assistiu à cópia pirata.

 

Segundo o diretor, sua produtora tem registrado no sistema interno todas as pessoas que mexeram no filme e por quanto tempo. “Isso tem ajudado a polícia e vamos chegar à pessoa certa”, confia ele, que contará a história do Batalhão de Operações Especiais do Rio (Bope).

 

 

 

Armas cenográficas foram roubadas em novembro

 

Antes, o filme já tinha virado caso de polícia. Em novembro do ano passado, traficantes do morro Chapéu Mangueira, na Zona Sul do Rio, onde as filmagens eram feitas, seqüestraram parte da equipe que trabalhava no filme e roubaram as armas cenográficas. Cinqüenta e nove delas eram réplicas e 31 verdadeiras, adaptadas para tiros de festim.

 

“O seqüestro e o roubo das armas gerou um prejuízo enorme e tivemos que parar as filmagens por mais de duas semanas”, lembra Padilha, que ficou dias sem dormir por causa do ocorrido.

 

Mas as dificuldades criminosas ao longo dos dois anos que se passaram entre a idéia e a finalização do filme não intimidaram o cineasta. “Quem entra na chuva é para se molhar. A gente teve que levantar e seguir adiante. A equipe teve coragem e coração para terminar o filme”, diz ele.

 

Para Padilha, no entanto, “quanto mais difícil o percurso da maratona, melhor a sensação de cruzar a linha de chegada”. “Quando a gente lançar o filme, ele volta para as páginas de cultura dos jornais.”

 

Filme não é livro adaptado

 

Apesar das contribuições do ex-capitão do Bope, Rodrigo Pimentel, que escreveu em parceria com o sociólogo Luis Eduardo Soares o livro “Elite da Tropa”, Padilha afirma que o filme não é uma adaptação do livro. “O roteiro já estava pronto quando mostramos ao Luis Eduardo. Só que é mais fácil lançar um livro do que fazer um filme”, brinca.

 

Para compor os personagens, entre eles o Capitão Nascimento, interpretado pelo ator Wagner Moura, Padilha entrevistou e ouviu histórias de 15 policiais, que conheceu depois que fez o filme “Ônibus 174”. “Este é um filme de ficção”, avisa.

 

Via G1, no Rio, via omedi!



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