No segundo dia da invasão israelense por terra na Faixa de Gaza, os olhares do mundo todo estiveram voltados para a zona de conflito, com líderes de diferentes países pedindo o cessar-fogo.
A grande exceção ficou por conta dos Estados Unidos, que bloquearam a resolução do Conselho de Segurança da ONU, impedindo a intervenção em prol do fim do confronto.
Reunidos na noite deste sábado, os 15 membros do colegiado da ONU não chegaram a um consenso sobre a postura diante da escalada da violência na região.
Jean-Maurice Ripert, embaixador da França nas Nações Unidas e presidente do conselho, defendeu a trégua imediata e a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, no que foi apoiado pela maioria dos outros representantes, inclusive a Líbia, único país árabe do conselho.
Os EUA, no entanto, um dos cinco Estados com poder de veto no grupo, e aliado de Israel, vetaram a proposta, sob a alegação de que o Hamas não acataria as medidas.
– O direito de defesa de Israel é inegociável – justificou o embaixador americano, Alejandro Wolff.
A Liga Árabe reagiu de imediato ao fracasso da reunião: anunciou que vai apelar ao conselho para que este se posicione contra o conflito. Enquanto isso, uma delegação ministerial da União Europeia (UE) viajou para o Oriente Médio, com a missão de negociar o cessar-fogo.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, também anunciou que irá a Israel para tentar uma mediação para o confronto, assim como o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Saltanov.
A grande pressão internacional, porém, não tem conseguido controlar a escalada da violência no território palestino. O segundo dia da ofensiva por terra foi de intenso combate, com soldados israelenses enfrentando os militantes do Hamas nas fronteiras da cidade de Gaza, bloqueada para que o grupo islâmico não pudesse receber reforços. Cerca de 80 tanques e carros blindados israelenses se concentraram no antigo assentamento judeu de Mitzarin, a 3 quilômetros da capital de Gaza.
O acesso da parte norte ao sul da Faixa, onde vivem 1,5 milhão de pessoas, está bloqueado. Em nove dias de conflito, já morreram mais de 500 palestinos, 87 deles crianças, e foram feridos cerca de 2.450.
Baixa
As forças israelenses sofreram a primeira baixa algumas horas após a invasão terrestre – o único soldado confirmado morto até então, além de 30 feridos. Os números do lado palestino retratam a desigualdade do conflito: morreram ontem ao menos 47 deles, sendo 22 civis.
Entre os mortos há cinco membros de uma mesma família, incluindo uma menina de 14 anos, que foram atingidos pelo disparo de um tanque israelense enquanto viajavam de carro.
A maioria das localidades da Faixa manteve-se sem eletricidade ontem, e a falta de combustível está cada vez mais grave. Mas séria mesmo é a falta de suprimentos de primeira necessidade, que o Programa Mundial de Alimentos denunciou como “espantosa”.
Nas ruas vazias, as únicas aglomerações neste domingo eram as filas de espera diante das padarias.
O único impacto em Israel dos apelos internacionais pela trégua tem sido o esforço diplomático por justificar a ofensiva. Neste domingo, a Embaixada de Israel no Brasil divulgou as “novas fases” da operação – controlar as áreas de onde os militantes palestinos lançam foguetes, perseguir terroristas etc– acrescentando que os objetivos do Exército são apenas “dar um golpe duro” no Hamas e promover mais segurança para a população civil israelense.
Mas o presidente israelense, Shimon Peres, rejeitou a possibilidade de trégua na Faixa de Gaza, embora tenha firmado, ontem, que Israel não pretende ocupar a região.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown – que já havia pedido no sábado ao premier israelense, Ehud Olmert, um cessar-fogo imediato – reforçou ontem que a ofensiva por terra é uma medida extremamente perigosa.
Na Espanha, o chefe da diplomacia do governo, Miguel Angel Moratinos reclamou que a comunidade internacional tem se mostrado passiva e conclamou por mais esforços diplomáticos para alcançar um acordo de paz. Em nota, o governo egípcio lançou farpas a Israel, a quem culpou pelo sofrimento de tantos inocentes.
Com viagem prevista à China no meio da semana, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, adiou a visita por conta dos ataques. Apesar da expectativa por suas declarações, Barack Obama manteve o silêncio sobre o conflito.
O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) autorizou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a realizar processo seletivo para a contratação de 238.130 servidores temporários. O objetivo das contratações é a preparação e a realização do Censo Demográfico de 2010.


















